Polemica: Racismo em The Vampire Diaries ?

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O texto abaixo não representa a opinião do Site “Diários de um Vampiro Brasil, o mesmo foi escrito por “shannonjeanna” uma blogger que reside nos EUA.

Eu sei o que você deve estar pensando. Vampiros? Isso ainda faz sucesso? Na verdade, não… No entanto, uma das séries da CW, The Vampire Diaries, ainda vai bastante bem e foi até renovada para uma sétima temporada! Seis anos é muito tempo para um show durar, especialmente na CW onde a maioria dos seriados têm sorte se durarem até a terceira temporada e são considerados incríveis se conseguirem uma quarta. Então, gostando ou não, TVD parece ter se estabelecido como uma série bastante sólida para a emissora, apesar de algumas questões problemáticas que envolvem raça e cultura.
Por que escrever sobre TVD? Porque eu acho interessante como o programa trata  pessoas de cor e/ou mulheres, de forma não intencional e com bastante precisão que acaba revelando o tipo de sociedade em que vivemos. Não me interpretem mal, nem tudo sobre TVD é ruim. Na verdade, é na minha opinião um bom seriado com voltas e reviravoltas inteligentes e, às vezes, cliffhangers bastante impressionantes. A maioria dos personagens são bastante convincentes – exceto talvez a sua protagonista (desculpe Elena, eu nunca gostei de você) – e no geral há um muitas coisas boas que pode ser dito sobre o show. Na verdade, eu ainda tenho esperança de que a sétima temporada possa ser a melhor temporada se os escritores se encarregarem de abordar as diferentes questões que afetam os seus personagens, histórias e, por associação, os seus telespectadores.
O motivo de eu escolher TVD como um exemplo é porque ele é uma das séries com a qual eu estou mais familiarizada, mas eu acho que várias dessas questões não são específicas a TVD ou a fantasia e, infelizmente, também se aplicam a muitas outras séries, seja o bem sucedido Game Of Thrones, ou clássicos como Buffy, The Vampire Slayer e até mesmo shows de comédia como Friends. Eu não vou tocar na questão enorme que é a promoção da cultura do estupro em TVD, uma vez que já foi abordada muito eloquente e exaustivamente por outros. Vou enfrentar no entanto, a questão do racismo, que muitas vezes eu vejo sendo camuflado ou disfarçado frequentemente.

1. Os Diários De Besteiras

O meu maior problema com a maioria dos seriados é a grande falta de diversidade. Usando como exemplo o elenco de TVD, o número de personagens regulares gira em cerca de 9 (dependendo da temporada): Stefan, Damon, Elena, Caroline, Tyler, Matt, Jeremy, Alaric e Bonnie. De todos esses personagens, 8 são brancos (embora Michael Trevino seja um ator latino, Tyler é retratado como um personagem branco), e apenas um é negro. Essa personagem negra é Bonnie Bennett, interpretada pela atriz birracial Kat Graham.
Entendem o que quero dizer?
Para ser justa, houve outros personagens recorrentes de outras raças na série: Pearl e Anna eram asiáticas, Luka e seu pai, os pais de Bonnie e Jamie, são todos Afro-Americanos, mas todos esses personagens tiveram muito pouco enredo e foram todos mortos ou mandados embora em algum momento. Isso nos deixa apenas com Bonnie. A única pessoa de cor em toda aquela cidade da Virgínia ( que coincidentemente é um estado muito diversificado racialmente na vida real).
Portanto, Bonnie carrega o fardo da representação, não só para os telespectadores negros, mas para todas as minorias (asiáticos, latinos, etc.), enquanto as pessoas brancas que assistem a série tem pelo menos nove personagens DIFERENTES para representa-los, todos com personalidades muito diferentes. Notem que eu nem sequer conferi os personagens brancos recorrentes como Katherine, Jenna, Sheriff Forbes, Enzo, etc.!

2. “Assexualidade”

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Nós poderíamos dar a serie um desconto e pensar com nós mesmos: “Bem, mesmo havendo pouca diversidade, talvez Bonnie pelo menos, tenha algumas boas histórias!” ERRADO! Bonnie Bennett é, provavelmente, uma das personagens mais mal tratadas na história da TV. Ela é a garota negra/bruxa negra que vem por último. Ela é sempre colocada em uma posição de servidão e, se analisarmos bem, ela quase sempre tem falas curtas. Se você assistir as temporadas de 1 a 5 irá perceber que Bonnie fica muito pouco tempo na tela e o pouco que  aparece é apenas para fazer feitiços, não porque feitiços são o que ela quer fazer, mas porque ela é coagida, ou principalmente obrigada ou ameaçada por seus amigos e inimigos brancos.
Bonnie é sempre a válvula de escape: quando o enredo exige isso, ela de repente aparece, e logo depois desaparece novamente sem explicação. Ela não teve sequer um desenvolvimento de caráter e personalidade como os outros personagens tiveram, e em uma série que vive e prospera com base em seus “ships”, Bonnie só se envolveu realmente com um cara, que é Jeremy, irmão humano de sua melhor amiga.
Não há absolutamente nada de errado com isso, mas, quando as meninas brancas ganham até encontros exclusivos com os homens mais desejados e cobiçados do programa que podem ser ou mais velhos ou protetores ou perigosos (sejam vampiros, lobisomens ou híbridos), aí a coisa fica desleal. Por favor, não estou dizendo que isso é o que alguém deve procurar num companheiro real, estou apenas discutindo essas “qualidades” dentro do contexto do seriado, já que costuma romantizá-los e mostrar esses homens como desejável.
Gostando ou não do muito novo,  previsível e humano Jeremy, ainda tem o fato de que o relacionamento é tediosamente chato porque as conversas de Bonnie e Jeremy são quase exclusivamente sobre Elena, a garota branca. Ou seja, a vida amorosa de Bonnie não é nem mesmo sobre ela, mas é um meio para um fim, roubando mais uma vez a cena dela para outra pessoa em sua própria ‘trama’.Por outro lado, Elena e Caroline – as duas meninas brancas – tem homens sexys brigando por elas e adorando o chão que pisam.
Stefan e Damon passaram a maior parte da série disputando por Elena.
Elena, que namorou Matt, é o centro de um triângulo amoroso interminável envolvendo Stefan e Damon, os dois vampiros mais cobiçados da cidade, e houve até umas vibes românticas com Elijah, um vampiro original. Ela teve o prazer de receber inúmeros gestos e discursos românticos.Pode se associar isso ao fato de que Elena é a protagonista, mas quando você compara o tratamento de Bonnie com a de Caroline, uma outra personagem coadjuvante, a diferença de tratamento é bastante impressionante. Ao contrário de Bonnie, Caroline nunca é realmente parte do enredo original, mesmo recebendo enredos que a façam rir, chorar, atacar e ter um esquadrão de interesses amorosos à sua porta. Caroline teve envolvimentos românticos com Damon, Matt, Tyler, Klaus e Stefan. Até Katherine, apenas uma personagem recorrente, teve relacionamentos com Stefan, Damon, Trevor, Mason, Elijah e Klaus. Mas Bonnie, bem, ela só tem Jeremy, um cara que a traía com Anna, sua ex-namorada que virou fantasma, e em certo ponto, mesmo afirmando que “ele sempre amou Anna” não podia rejeitar completamente a sua relação com Bonnie e a importância que tinha para ele.
Caroline disputada por Klaus e Tyler
Bonnie, assim como várias pessoas de cor na TV, é como se fosse feita para ser assexuada e seus looks constantemente a minimizam, de modo que outras co-estrelas femininas possam brilhar mais.
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Como resultado ela tem as piores roupas, o pior cabelo, a pior maquiagem e sempre que o enredo precisa de eventos formais, bailes, casamentos, etc. em que exige que os personagens usem vestidos bonitos ou smoking, que muitas vezes são cruciais na construção de relações românticas e, por associação, o desenvolvimento do caráter, Bonnie é muitas vezes e muito convenientemente tirada de cena.
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Onde Está Bonnie?
Ops… nada de Bonnie
Mas de maneira nenhuma isso significa que para uma personagem feminina ser atraente ou relevante, ela precisa ter um interesse amoroso. Porém, em um show que valoriza a vida amorosa de seus personagens acima de tudo da maneira TVD é famoso por fazer, é muito revelador que a garota negra seja pouco ou nada valorizada nesse departamento.
Acho que estudar o fenômeno inteiro sobre “ship” nessas séries e filmes adolescentes é muito interessante e diz muito no tratamento de personagens de cor e, por associação pessoas de cor em nossa sociedade.
Se olharmos para Bonnie é um pouco assustador o quão rápido os escritores são em desfazer ships que envolvem ela e quão violentos e raivosos os fãs podem reagir aos referidos ships. Em primeiro lugar temos Klonnie. Sim, Klonnie. Bem cedo alguns fãs começaram a shippar Bonnie com Klaus, o novo grande vilão na cidade. Bonnie era a personagem que tinha tido o maior número de confrontos com Klaus e a única que poderia enfrenta-lo e se igualar a ele em poder e força para fazer uma interessante dinâmica se tonar algo romântico para acontecer na trama.
A base de fãs Klonnie cresceu tanto que começou a ganhar espaço do show, no elenco e  atenção da mídia. Assim como rapidamente, a idéia de Klonnie foi convenientemente extinguida e Klaroline (Klaus e Caroline) se tornou Canon, embora fez muito pouco sentido em comparação, já que Klaus e Caroline sequer tinham tido uma cena juntos.Outro ship começando era Kennett (Bonnie e Kol), que foi encerrado imediatamente pela showrunner Julie Plec. Mas Elena e Caroline podem ter até encontros com vampiros assassinos, enquanto Bonnie fica limitada a encontros com seu meio-irmão Jamie? Ok…
“Queridos fãs da Bonnie. Vocês prefeririam uma linda e forte Bonnie para ficar com um vampiro assassino com o Kol…”
E, finalmente, há Bamon (Bonnie e Damon). Embora este ship exista desde o início do show, tem estado recebendo muita atenção ultimamente devido às muitas cenas e desenvolvimento que o relacionamento de Bonnie e Damon tiveram na última temporada.
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E, pela primeira vez, até mesmo a mídia parece estar esperando animada com a perspectiva de Bamon acontecer romanticamente na temporada 7. No entanto, os escritores têm-se mantido dolorosamente em silêncio sobre isso há anos e as reações de alguns dos fãs tem variado de comentários condescendentes, ao ridículo, ao ódio e até mesmo ameaças de morte.
Mas por que é tão difícil para as pessoas aceitarem ou mesmo quererem Bonnie, uma mulher negra, ficar com Damon? Essas mesmas pessoas que foram tão rápidas para torcer por Steroline (Stefan e Caroline)?
Muito pouca gente tinha opiniões sobre Beremy (Bonnie e Jeremy) porque não tinha nenhuma importância. Ninguém realmente se importava, porque Jeremy não era Damon. Em estar com Jeremy, Bonnie não era uma ameaça para Elena ou Caroline. A regra subliminar de que ela era de alguma forma inferior a elas não foi violada por ela estar com Jeremy.
Todo mundo está muito bem com Bonnie enquanto ela é vista, mas não ouvida. Jeremy não é tão atraente como Damon. Elena nunca iria querer ficar com ele já que ele é seu irmão mais novo. Caroline nunca sequer colocou os olhos em cima de Jeremy. Mas se Bonnie ficar com Damon iria mudar a dinâmica completamente. Ele forçaria os escritores a realmente colocá-la em foco, não como amiga/serva de Elena ou Caroline, e não como a bruxa negra, mas como alguém digno de ser amado por um personagem tão importante e desejado. Essa é um idéia que uma sociedade banhada em supremacia branca e privilégio branco não consegue entender.
Pergunte-se porque Bamon continua a ser um assunto tão delicado e tão impensável para alguns, apesar do fato de que (ao contrário Steroline e um monte de outros ships) eles tem base na série de livros original? Porque é que tantas pessoas acham que é tão fácil de shippar Bamon nos livros onde Bonnie é descrita como uma ruiva branca, mas simplesmente não consegue abrir suas mentes para o potencial de Bamon quando Bonnie é interpretada por uma garota negra? Porque a sociedade em que vivemos nos ensina a não querer essas coisas. Pior, ela nos ensina a sentir nojo por isso e sempre preferir brancura acima de tudo, faça sentido ou não, sendo certo ou não.
Além disso, todos os relacionamentos de Bonnie (amizade e romances) são unilaterais. Muitas e muitas vezes ela tem que sacrificar-se pelos seus amigos e namorado sem sequer piscar. Nenhum de seus atos altruístas lhe trás qualquer tipo de reconhecimento como a heroína que ela é, ao contrário de Elena que raramente faz sacrifícios, mesmo assim ela ganha elogios sem fim, na maioria das vezes sem merecer. Bonnie está lá para ser automaticamente o cordeiro sacrificial que tem contribuído fortemente para tornar seu bem-estar, seus sonhos, seus desejos e toda a sua vida parecer menos valiosa do que a do resto dos personagens.
Os espectadores vêem Bonnie como descartável, tanto que raras vezes ela realmente toma uma posição, sua personagem, invariavelmente, encontra-se no topo da lista de ódio insondável do fandom.
Infelizmente, este tipo de comentários de ódio parecem ter dobrado na sexta temporada; quando Bonnie finalmente ganhou mais de uma finalidade e destaque para colocar-se em primeiro lugar, o que foi muito atrasado da parte dos produtores. E para vários críticos foi a parte mais interessante, caso contrário se tornaria um show bastante repetitivo.
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3.  Negacionismo

Outra coisa grosseira e especialmente errado com TVD é o seu silêncio terrível sobre a escravidão. Na primeira temporada da série, o ano de 1864 é de significativa importância e é mencionado repetidamente. É o ano em que dois protagonistas da série, Stefan e Damon, estão apaixonados pela malvada Katherine e são posteriormente transformados em vampiros. Há uma porção de flashbacks de 1864 feitos para a constituição da história do passado dos personagens. Em alguns desses flashbacks, Emily Bennett, a ancestral de Bonnie, é vista e até mesmo mencionada como sendo “dama de companhia/serva” de Katherine.
Vamos ser claros, embora isto seja ficção, houve algumas menções de fatos históricos da vida real. Por exemplo, diz-se que Damon Salvatore lutou pela confederação; e há ainda uma cena em que ele retorna para casa, depois de ter servido, ostentando um uniforme do exército confederado. Então, mesmo que haja vampiros e bruxas nesta cidade fictícia, ela ainda está se passando na histórica Virginia em 1864, portanto, Emily Bennett não teria sido nada além de uma ESCRAVA.
Emily Bennett
No entanto foi convenientemente decidido encobrir este fato claramente desconfortável, a chamando então de “dama de companhia/criada”. Isto é nojento, para não dizer completamente desnecessário. Katherine é conhecida por ser uma das personagens mais perversas da série (tanto do lado feminino quanto do masculino). Ela seduz os homens, finge estar morta para atrair suas presas, manipula, mente e mata. Portanto, estes são motivos pelos quais ela não teria muito problema em ser dona de escravos, então de qualquer forma, chamar Emily Bennett do que ela provavelmente foi (uma escrava) não teria mudado em nada o caráter de Katherine, em vez disso poderiam ter até mesmo trazido mais profundidade ao seu caráter e a Emily, mas os escritores convenientemente escolheram ignorar este fato.
Pior ainda, em Mystic Falls na cidade fictícia de Virginia, onde a história é baseada, toneladas de eventos são realizados celebrando as famílias fundadoras. Vemos Elena, Stefan, Damon e Caroline muitos felizes assistindo ao “baile dos fundadores, e até mesmo vestindo-se com roupas do século 19 com vestuários de fundadores” para o desfile. Bonnie, obviamente, não foi para o baile e nem vestiu-se para o desfile – não que tenha sido perturbadoramente errado, mas provavelmente tinha algo mais a ver com o fato de que ela é proibida de usar vestidos bonitos, mas eu discordo. Em vez disso, sua função foi tirar fotos, assistir ao desfile e acenar feliz para os seus amigos que comemoravam a vida de pessoas que escravizaram seus antepassados. Que inadequado!

4.  A vida negra não importa

Outra coisa que me incomoda nesta série é o quão rápido e fácil as pessoas de cor morrem. Para se ter uma ideia, aqui está uma lista de todos os personagens de cor ou outra etnia que foram mortos sem desencadear qualquer dor, tristeza ou comoção de perda para outros personagens e os espectadores da série: Pearl (asiática), Harper (negro), Luka e seu pai (negros), Conor (negro), Um cara negro aleatório morto por Caroline, Jesse (negro), Ivy (asiática), Qetsiyah (interpretado por uma atriz indiana mas que na série era negra). VERSUS as mortes de personagens que desencadearam algum tipo reação emocional em pelo menos um outro personagem: Jenna (branca), Vicki (branca), Sheila-Grams (negra), o pai de Tyler (branco), a mãe de Tyler (branca), Anna (asiática), Lexi (branca), Isobel (branca), John (branco), Luke (branco), Rose (branca), Andie (branca), Elena (branca), Nadia (branca), Katherine (branca, os produtores fizeram de sua morte um grande evento, mesmo muitos dos personagens a odiando), Jeremy (branco), Bonnie (negra, não tenho certeza se eu deveria contar ela porque ela esteve morta por 3 meses e nenhum de seus amigos notou), Damon (branco), Sheriff Forbes (branca).
Mas o que é provavelmente mais revelador sobre o quão pouco vale a vida dos personagens negros, é quando comparamos Bonnie e Caroline na perda de seus pais. Bonnie e Caroline são ambas parte do elenco principal, embora Bonnie tenha sido parte da trama principal até mais do que Caroline, ela não teve pais e uma casa ou até mesmo um quarto até a quarta temporada (após os fãs exigirem dos escritores).
 Caroline e sua mãe.
Caroline que, por outro lado, nunca foi realmente parte da trama principal, tem uma casa, um quarto e uma mãe muito presente praticamente desde o piloto. O pai distante de Caroline foi introduzido brevemente por volta da 2ª temporada, antes de ser morto. Enquanto o pai de Bonnie que supostamente viveu com ela o tempo todo, só foi introduzido na 4ª temporada para ser morto imediatamente!
Mas este não é o maior problema aqui, o que continua a ser o mais preocupante é o quão diferente as mortes de ambos os pais foram mostradas. O pai de Caroline morreu com sangue de vampiro em seu corpo. Seu ódio por vampiros era tão forte que ele tomou uma decisão consciente de morrer em vez de completar a transição. Caroline sentou-se perto dele quando ele deu o seu último suspiro e pôde lamentar, o seu sentimento de perda foi abordado em um episódio inteiro.  Por outro lado, Bonnie que era um fantasma no momento (não pergunte), assistiu a garganta de seu pai ser cortada por um assassino maníaco e não podia sequer segurar sua mão enquanto ele estava deitado morrendo. A vimos gritar e chorar de horror na tela durante uma cena que durou provavelmente dois segundos e… é isso. Todo mundo seguiu em frente.
Bonnie e seu pai.
Nenhum de seus amigos mencionou o que aconteceu e Bonnie não fez qualquer coisa. Ela só acendeu uma vela em memória de seu pai uma temporada depois, seu trauma e sofrimento nunca foi abordado ou sequer mencionado na série novamente.  E mais tarde na 6ª temporada, a mãe de Caroline morre de câncer e isso é o suficiente para fazê-la desligar sua humanidade e estar no centro do palco em alguns episódios, enquanto Bonnie mais um vez não ganha nada.
Por que isso importa? Porque se uma série para adolescente é capaz de desumanizar as pessoas de cor de uma forma que ninguém ou muito poucas pessoas parecem questionar, nos diz algo realmente assustador sobre nossa sociedade e nosso nível de tolerância para o racismo.  Ela nos diz por que as pessoas negras são tão facilmente brutalizadas pela polícia em todo os EUA, seja um homem assassinado durante uma blitz de rotina ou uma menina de 14 anos agredida por um policial, isso nos diz por que um home pode ser empurrado de um metrô em uma carruagem na França por ser negro, nos diz porque 147 estudantes quenianos poderem ser assassinados por terroristas em indiferença geral, por que milhares de migrantes podem se afogar no Mediterrâneo, sem que ninguém mova um cílio, ou porque acabar com a bandeira confederada é ainda um assunto de debate.
TVD – e um número impressionante de séries tradicionais – é uma construção de uma sociedade que exala o racismo sistêmico e supremacia branca. As pessoas brancas assistirem TVD e internalizam essas ideias tóxicas a tal ponto que pessoas de cor se tornem irrelevantes, sem valor e invisível para eles. Pessoas de cor assistem, e se eles não estiverem em alerta o suficiente, começam a odiar a si mesmo e subconscientemente aplicam as regras de colorismo em suas próprias comunidades.
Quando não estamos na frente de nossos televisores, estamos sendo alimentados por essas ideias pela internet, pelos filmes, por comerciais, revistas, e as pessoas ao nosso redor. É por isso que é tão importante falar sempre que nos depararmos com tais atitudes e narrativas. Simplesmente ignorá-los não vai resolver.  Nós não estamos exagerando, não estamos sendo paranoicos em defender o que é certo, em andar através de Ferguson com as mãos para cima ou em twittar ao executivos de emissoras sobre o racismo em seus programas, o que contribui para envenenar as mentes adolescentes.
Todos nós podemos fazer uma mudança do nosso próprio jeito. Nenhuma questão é desimportante. Eu não posso mudar o mundo escrevendo este artigo, mas fazer com que pelo menos uma pessoa que o ler questione estas coisas já é uma vitória.
O silêncio é a complacência.
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A história terá que registrar que a maior tragédia deste período de transição social não foi o estridente clamor dos maus, mas o silêncio aterrador das pessoas boas. (Martin Luther King Jr.)

Vale ressaltar que o texto acima não representa a opinião do Site “Diários de um Vampiro Brasil, o mesmo foi escrito por “shannonjeanna” uma blogger que reside nos EUA. Deixe sua opinião nos comentários.

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